28.3.06

Nossa A-Brasilidade e o Carnaval

Em bate-papo com Bráulia Ribeiro, lingüista e presidente nacional da agência missionária Jovens Com Uma Missão (Jocum-Brasil), entrevista que será publicada na primeira edição do programa Integração B, conversamos sobre o nosso posicionamento como cristãos brasileiros em relação ao Carnaval.
Na expectativa de que possamos pensar um pouco mais sobre isso, decidi deixar a entrevista à disposição aqui em Nos Ares.


IBO Carnaval é palco para diversas expressões artísticas, a exemplo da música, das escolas de samba em São Paulo e Rio de Janeiro e os trios elétricos de Salvador. O que toda a arte do Carnaval expressa a respeito do povo brasileiro?

Bráulia - O Carnaval é uma das expressões mais importantes da nossa cultura, do que a nossa cultura tem de celebração, de prazer pela vida. O brasileiro é aquele que gosta de viver e qualquer coisa é motivo para uma festa. Então isso é o Carnaval. É aquela festa do país inteiro. Quando nós falamos em redefinir, em repensar a cultura brasileira, em cristianizar a cultura brasileira nós não jogamos fora aquilo que é bom.


IB – Existe certa aversão da igreja em relação ao Carnaval. Quais seriam as desvantagens disso, e como nós poderíamos olhar essa festa com olhos diferentes?

Bráulia – A Igreja em geral não tem aversão à festa, a igreja recria essa mesma festa em outro contexto. Por exemplo, a “Marcha Para Jesus” é uma espécie de Carnaval dos crentes. Onde todo mundo se reúne e celebra. Celebra a Jesus, celebra sua igreja, celebra sua denominação. É festa do mesmo jeito. Mas porque nós temos uma mania de criar uma cultura alternativa, e não interferir com a cultura nacional, e não tentar reconstruir com valores cristãos a cultura nacional, nós reinventamos uma cultura paralela. E uma maneira diferente de pensar, seria tentar contribuir com a cultura, tentar comunicar os valores cristãos para a cultura que já está, ao invés de criar um movimento alternativo, ao invés de se fechar num gueto evangélico.


IB – Porque isso aconteceu? Porque a igreja se fechou nesse “gueto evangélico”?

Bráulia – Eu creio que, em parte, foi para se proteger. Durante muitos anos nós éramos um grupinho pequeno, encolhido. Nós nos protegíamos da cultura nacional com uma idéia errada de santidade. Nós ouvimos que santidade é se separar. Eu acho que devemos buscar redefinir alguns conceitos cristãos. Nós nos separamos sim, mas nos separamos não da cultura envolvente, não do mundo. Jesus falou: “Não vou tirá-los do mundo, mas vou livrá-los do mal”. Mas nós nos separamos do mundo, nos separamos das pessoas do mundo, nos separamos daquilo que é cultura, daquilo que é parte da nossa identidade, ao invés de confrontar aquela identidade com os valores cristãos. Então o conceito de santidade deveria ser: Nós nos separamos para ele. Com isso nós separamos o que é bom da cultura do que é ruim, promovemos o que é bom e deixamos pra lá o que é ruim.


IB – O Carnaval alcançou proporções tais, a ponto de merecer o reconhecimento de maior festa popular do mundo. Você acredita que há esperança para a redenção do Carnaval?

Bráulia – Essa é uma pergunta difícil. Eu não quero dar a impressão de que estou advogando os crentes ficarem pulando carnaval, mas eu também não acho que é se escondendo em Retiros que nós vamos conseguir ter alguma vitória. Nós temos que orar, temos que buscar estratégias, temos que pensar... Quem sabe escolas de samba cristãs mostrando a história do evangelho nas ruas seja uma alternativa. Deus é muito criativo e o povo de Deus é criativo para ter influência.


IB – Quais as desvantagens, em termos de identificação com o povo brasileiro, que nossa ausência no Carnaval produz?

Bráulia - A ausência do povo de Deus de qualquer contexto produz podridão. Nós somos o sal da terra, somos a luz do mundo. Então quando nós não estamos presentes, temos uma sociedade em trevas. Em qualquer contexto social onde o povo de Deus se afasta, só sobra desespero. E é isso o que tem acontecido com o carnaval. Nós temos nos afastado até do diálogo com a cultura nacional em geral, não só com o Carnaval, e isso tem produzido um Brasil cada vez mais corrompido, cada vez mais vazio dos valores verdadeiros, cada vez mais necessitado de referências. Será que nós vamos ser essas referências? Será que nós vamos ser capazes de dar para o Brasil referências morais nessa época de desespero que nós estamos vivendo? Ou nós vamos simplesmente criar o caos. Pelo afastamento dos cristãos cria-se o caos, eu acredito.


IB – Na sua opinião, qual é o sonho de Deus para o Carnaval?

Bráulia – Eu acho que Deus quer ser glorificado através de toda expressão cultural. Toda cultura, todo povo, cria suas manifestações artísticas, musicais, dançantes... E essas manifestações são manifestações de louvor na sua essência, porque tudo o que nós fazemos é na sua essência aquela nossa necessidade de contato com o eterno, porque nós somos seres eternos. Então o Carnaval seria, talvez, a maior celebração de louvor que existe na face da terra se a gente tivesse a capacidade de redimir essa festa, de entrar lá e transformar o contexto completamente. E eu não acho que isso iria tirar a graça do Carnaval, porque a graça do Carnaval não está no crime, não está no sexo pervertido, não está na falta de limites. A graça do Carnaval está na celebração, está na alegria; na liberdade alegre que existe na festa.


IB – O que você diria, como um convite, para que possamos ser integrados nesse processo de redenção cultural?

Bráulia – A nossa identidade cultural é parte de quem nós somos. É muito difícil tirar, por exemplo, da Bráulia, a mineiridade, porque eu sou mineira. É muito difícil tirar do carioca a carioquês dele e ele continuar sendo quem ele é. Nós não podemos rejeitar nossa identidade. Nessa rejeição da identidade nacional nós rejeitamos quem Deus nos fez pra ser. Rejeitando a nossa brasilidade rejeitamos a Deus com a criatividade que ele espalhou aqui nessa Terra Brasil. Então acho que é tempo de nós, cristãos, entendermos quem nós somos em Deus. Não ter vergonha da nossa identidade. Não tentar copiar as identidades cristãs de fora. Eu ouvi uma vez alguém dizendo que brasileiro não sabe adorar, brasileiro só sabe gritar. Gritar é adorar! Dançar é adorar! Celebrar é adorar! São expressões diferentes de adoração. Nós temos uma capacidade extrovertida de adoração que é nossa! Então acho que nós temos que pensar em resgatar a brasilidade; de uma maneira santa, de uma maneira amorosa, de uma maneira justa, de uma maneira de Deus, e nós vamos ser capazes, quando fizermos isso, de dar muitas respostas para essa sociedade desesperada que anda por aí.

24.3.06

Sou alérgico a poeira!

Já faz tanto tempo... Ainda lembro-me da última postagem...

Bem, vamos começar acendendo a luz - clique!

Parece que tenho algum trabalho aqui. Uma boa limpeza em um lugar nesse estado é quase masoquismo para alguém como - Ah, ah... Athim! - eu. Sabia que não seria fá-fá... fácil. Pelo menos os arquivos estão organizados. Agora é só terminar de colocar os links de blogs mais bem cuidados do que este, depois que eu terminar de tirar essas teias de aranha. Tomara que esta animação dure - Athim! - Ai, que asco! Dure até o próximo ano. Vou ao banheiro limpar esse nariz, depois eu volto para deixar o recado de que agora vou responder os comentários na própria janela de comen-men-te-thim! comentários. Ask! Vou trocar de camisa também.

3.12.05

Brasil verde-amarelo

"Era tudo teimosamente verde
Verde as árvores, verdes os horizontes, verdes as almas dos homens.

Té que um dia eles chegaram
com uma coisa amarela.
E a coisa amarela estava escondida debaixo do verde.

Homens de almas descoloridas,
buscaram a coisa amarela,
ignorando o verde.
As esperanças verdes,
dos homens verdes."

(Bráulia Ribeiro)

25.11.05

Pedaços de goiabada em sopa de jiló

Estávamos sentados em um dos muitos cafés do centro de Buenos Aires. Meu interlocutor, Jorge Romero, 40 anos, não se apresentava como eu costumava vê-lo. A diferença não estava na calça jeans ou na camisa com a gola poída, mas na falta do avental e da farinha de trigo cobrindo de branco suas mãos e antebraços. Este homem de estatura mediana, rosto redondo, olhar profundo e transparente, gestos simples e definidos, com seus poucos cabelos encaracolados na altura do pescoço, divorciado e pai de dois filhos, a menor saindo da infância e o primogênito já em plena adolescência, ajudou-me a entender melhor o que significa a frase “A massa que faz o pão, vale a luz do teu suor”, da canção “Amor de Índio”, de Beto Guedes.

Jorge é supervisor de uma pequena padaria, escondida pela opulência da Avenida Corrientes, na transversal Tte. Gral. E. Frias, 427. Tornei-me freguês do estabelecimento não por simplesmente experimentar as saborosas facturas (biscoitos, pães e doces) que produz, mas pela alegria, simpatia e generosidade com que Jorge contagia o ambiente.

“Quando estás entre crianças, és uma criança mais”, foi o que disse quando perguntei-lhe a respeito do mural de desenhos infantis pendurado na parede, ao lado esquerdo do balcão de doces, com figuras de pássaros voando, famílias de mãos dadas e até rabiscos, que eu não arriscaria chamar “sem sentido”, com inscrições do tipo “Jorge, te amamos”. Estes pequeninos e fiéis fregueses entram na padaria e correm para trás das vitrines buscando um abraço do tio Jorge. O que faz alguém tão naturalmente alegre, agradável e simpático? Ele diz que é parte do serviço, precisa conquistar os fregueses. No entanto, ninguém consegue viver por muito tempo o que não guarda como real valor. Conhecendo-o um pouco mais, pude entender que no ofício ele simplesmente expressa as verdades em que acredita, mesmo ciente de que faz apenas o trabalho de uma andorinha no sonho de ver vencidas as chamas de um incêndio.

Há quatro anos Jorge se veste de palhaço para fazer sorrir crianças de províncias pobres da Argentina, como Santiago del Estero, onde os habitantes precisam caminhar cerca de cinco quilômetros em busca de água. “O que podemos fazer pelos pobres? Especialmente pelas crianças?”. Diz que esta pergunta lhe foi respondida quando se vestiu de palhaço pela primeira vez no aniversário de um sobrinho.
Como reflexo de dias em que já precisou repartir um único pedaço de pão, após a crise financeira do país em 2001, Jorge e o grupo de voluntários não trabalham com a freqüência que gostariam, por falta de recursos, tanto que, para ajudar sua renda mensal, ele vende caramelos no metrô em seus dias de folga da padaria.

Perguntei-lhe que resultados pretende alcançar com seu trabalho com as crianças. Jorge, então, começou a contar-me histórias, como a de um certo homem que lançava sementes pelo caminho, mas só as que caíram em solo fértil germinaram e cresceram. Disse que não pode tirar as crianças da pobreza, mas pode ensinar valores. “Talvez eu jamais veja os frutos”, mas segue assegurando que as lições que ensina podem formar adultos melhores. Jorge continua a falar das crianças com tanta paixão e veemência que seus olhos ficaram marejados de lágrimas, fato que se repetiu em vários pontos da conversa. Discursava sobre a sensibilidade dos pequeninos; como coisas que, para nós, são tão insignificantes, têm tanto valor para eles. “Conseguem guardar uma bola de soprar, daquelas de aniversário, por quatro dias!”, dizia em voz chorosa: “Quando te dão um beijo, o fazem de coração”.

Jorge faz um apelo falando sobre a semente de mostarda, uma das menores na natureza, mas que se transforma em uma grande planta. “Se darmos o pouco que temos, cada uma dessas plantas darão outras muitas sementes”.

Sobre sonhos, diz que não se importa se os filhos não fizerem duas ou três faculdades, “ainda que tenham uma vida simples, que sejam boa gente, que sejam melhores do que eu”.

Se algum dia estiver em Buenos Aires, aproveite para apreciar delícias em “El Maestro del Sabor”, escondida entre o caos urbano. Não é nenhum ponto famoso, mas as maiores belezas da cidade seguramente não são as indicadas em guias turísticos.

Nos despedimos por aquela tarde, e como era de se esperar, Jorge não me deixou pagar pelo café.

19.11.05

Sobre árvores e frutos

Uma mangueira não pode produzir figos, uvas, morangos ou bananas, mas, pensando bem, uma mangueira não precisa esforçar-se nem mesmo para produzir mangas. Nunca ouvi sobre uma árvore contraindo seu caule fazendo tremer os seus galhos para que aquelas florzinhas se transformem em frutos. A natureza é assim. O céu não precisa sorrir para que o sol apareça, as nuvens não carecem de tristeza para que chova, o vento independe de pressa para correr, a flor perfuma sem paixão, a terra treme sem stress ou pulgas.

Verdade que ele era um bonito rapaz. Nunca podemos dizer o contrário de alguém que tem 85% do seu círculo de conhecidas com essa mesma opinião. Sempre educado, gentil, divertido e muito, muito ansioso por encontrar sua “outra metade”. A cada novo rosto, se após uma rápida análise de cima abaixo, o perfil fosse considerado ao menos o mínimo satisfatório; ali estava uma nova oportunidade. Suas intenções o faziam ainda mais educado, gentil e divertido. Essa espécie de dança do acasalamento era uma isca que muitas mordiam, mas ele nunca as tirava do lago. Toda essa caça era o impulso da esperança de encontrar alguém especial, deveria haver alguém com quem uma agradável conversa ou um intenso silêncio traduziria em bons momentos juntos.

Ele não tinha um histórico de muita passividade em relação aos seus sentimentos e desejos, assim, atirava para todos os lados, até que, enfim, cansou de errar o alvo caindo exausto no sofá. Ao efeito de um profundo suspiro fez uma intrigante descoberta. Ela nunca havia saído da sua lista de amigas para a lista Possibilidades e, ainda assim, ele não era menos educado, gentil ou divertido com ela, só era ele mesmo, vivendo seus reais valores. Percebeu que, com muita probabilidade, a amava.

Resolveu impressioná-la. Não bastava somente dizer o que sentia, não era tão simples assim. Essa Síndrome de Príncipe Encantado pedia uma amostra hollywoodiana de seus sentimentos. A base de uma idéia - Não há nada que uma dançarina goste mais do que dançar. Conclusão desanimadora – Ele era o pior dançarino que já conheceu. No entanto, um probleminha como esse não poderia ser obstáculo para levar a cabo uma estratégia que julgava mostrar-se tão eficiente. Algumas dicas com a mãe, em busca do ponto de vista feminino, outras com o pai, pela experiência; alguns passos com aulas pela TV, outros com amigos e seguiu a ensaiar. Treinou cada detalhe; movimento dos pés, levantar a cabeça, mãos na cintura, olhos nos olhos e um e dois e três e quatro e um e dois… Após duas semanas, pouco êxito, seus pés não obedeciam, as mãos pareciam ter vontade própria e sempre perdia a contagem. Começou a pensar que um dançarino precisa nascer dançando, tinha que ter relação com essa questão de genes ou algo assim. Caiu exausto no sofá, depois de notar aquela dor que começava na coxa e se estendia até os pés, e antes de sussurrar a frase: “Nunca vou conseguir”, entendeu, repentinamente, que realmente não conseguiria se continuasse tentando sem música.

Por fim, basta soarem os instrumentos mais a sensibilidade para ouvir a voz de uma boa canção e um convite sincero aos encantos da pista de dança e poderemos terminar essa história com um belo casamento e lindos bebês engatinhando pela casa.

Quanto ao labutar da árvore por seus frutos, bem, ela só precisa estar plantada, nada mais que isto. Se o solo é realmente fértil, naturalmente, ela se alimenta da terra, e do sol, e do orvalho, e no devido tempo, se exibem seus frutos.

14.11.05

Cita

"Não há nada mais sério que o humor"

4.11.05

Ubi dubium ibi libertas

Um amigo fez algumas críticas sobre o post anterior, argumentando que gastei somente 3 linhas para retratar-me, quase o dízimo de um conflito exagerado que compõe o restante do texto. Ainda que não tenha muita relação com o argumento, acabamos nos lembrando de princípios bem interessantes. O tópico mais forte foi como nossas dúvidas são essenciais no relacionamento com o Inspirador. Uma fé sem dúvidas é uma fé estática, diferente de uma fé com muitas dúvidas, que se torna uma fé relacional.

Com uma cosmovisão bíblica tudo o que tem alguma razão, no sentido de valor essencial à existência humana, torna-se lógico e legítimo, por isso assumo minhas dúvidas, por mais blasfemas que pareçam, e o perseguirei até que me responda. Como diziam os gregos - "Onde há dúvidas há liberdade".


"Busque a mim e eu responderei e lhe direi coisas grandiosas e insondáveis que você não conhece" (Jr. 33:3)

30.10.05

Mateus que me perdôe.

Tolerância zero! É o que dizia um dos personagens do saudoso comediante Francisco Milani, frente a uma afirmação ou questionamento óbvio. Sarcasmo merecido para quem insiste em repetir jargões ignorando significados, por simplesmente não ter algo realmente significativo para dizer, ou pela burrice impregnada de cotidiano instintivo e irracional. Difícil tolerar, mesmo expressões clássicas, como por exemplo – Oi, você por aqui? – Resposta – Não, este é um holograma programado para entregar-lhe a mensagem de que, a esta altura, já estou no céu e gostaria da sua companhia, portanto, este holograma vai explodir assim que eu termine de pronunciar o último fonema das palavras Tolerância Zero!

Como não me importo com a vergonha de ser considerado um pecador segundo os padrões judaico-cristãos, atrevi-me a sentenciar o evangelista bíblico Mateus com a mesma intolerância, por ser desatento o bastante para escrever a tolice dessa sentença - “E Jesus, abrindo a boca, disse…”. Tentei negar que o original grego traz a mesma linha. Se não estiver no original, pensei, então quem foi o insano que inseriu tal imbecilidade na Bíblia? Você pode pensar que estava sendo demasiadamente radical e que este é só um detalhe, e você tem razão, foi um detalhe que idiotizou o texto, tirou-me toda vontade e expectativa de seguir lendo. De um homen com tantos recursos como Mateus, esperava um pouco mais de senso. Entendo que ele não era um escritor, mas isso não era desculpa para usar de tanta obviedade, como se eu fosse tão burro a ponto de não saber que para alguém falar algo, especialmente para uma multidão, é preciso abrir bem a boca. Sinceramente, não acreditei que ele tivesse feito isso comigo, mesmo depois de reler a mesma bendita frase quatro vezes. Nesse ponto, comecei a questionar a própria inspiração divina atribuida ao sacro livro. Mesmo que Deus tenha feito isso por uma dose de humor, entraria no seu jogo, e com o mesmo sarcasmo que me ensinou a porcaria daquele programa, diria Tolerância Zero para o Inspirador.

Antes de entregar-me à derrota pela indignação e acabar fechando as escrituras, parei um momento e pensei no protagonista, pensei nos fatos, nas histórias, nos momentos. Foi assim que dei-me conta de que para as maiores mensagens, Jesus realmente não precisou das palavras, ele falou com o toque, o sorriso, o olhar...

24.10.05

Murmúrio ao antes das marés.

E pensar que pensavam precipitar o oceano em uma Terra quadrada....

23.10.05

Síndrome de Cristóvão

Os europeus descobriram as marés que trouxeram Colombo para os horizontes verdes de Latino-América. Que inveja... das marés... de Colombo...

29.9.05

Dormi de barriga cheia

Hoje tive um sonho meio louco. Sonhei que descia de uma nave em um lugar desconhecido, fazia parte de uma equipe. Eu usava uma espécie de pula-pula nos pés. O lugar era de um chão pedregoso e mais a frente tinha uma floresta. Um grupo de nativos, homenzinhos pequenos, iam caminhando na direção da floresta. Daí tirei o "pula-pula" dos pés e fiquei descalço como eles estavam. Mesmo com a objeção da equipe, os acompanhei na caminhada mata a dentro. Nossa primeira comunicação foi um "Olá!" dito e outro respondido, mas eles falavam outro idioma. Daí cada palavra que eles diziam eu repetia tentando descobrir o que significava, quando minha pronúncia estava errada, eles me corrigiam, infelizmente o sonho acabou antes de chegarmos em algum lugar qualquer. Daí eu sonhei que tinha acordado e que o sonho que eu tinha sonhado estava em um arquivo no computador. Achei aquilo o máximo e subi as escadas da minha casa para rever o sonho. Minha surpresa foi encontrar o arquivo de vídeo "sonho de hoje". Abri o arquivo e nada aconteceu. Então fui para a varanda, como que por instinto, e os personagens do sonho, a nave, os nativos, tudo acontecia no background do meu bairro, só o cenário havia mudado e agora aqueles homenzinhos caminhavam sobre casas e asfalto. Era como um imenso holograma, parecido com o show de luzes no museu de Petrópolis. Então eu acordei, eu acho...

20.8.05

Otimismo burro

"Vivemos esperando
Dias melhores
Dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos para trás

Vivemos esperando
O dia em que seremos melhores
Melhores no amor, melhores na dor

Melhores em tudo.

Vivemos esperando
O dia em que seremos para sempre
Vivemos esperando
Dias melhores para sempre"

("Dias Melhores", Jota Quest, composição: Rogério Flaustino)

31.7.05

Opus Dei

Cultura
Pensamento
Criatura
Movimento
Palavra
História
Momento
Eu
Você
Espaço
Tempo ...

Imagem
Fala
Dança
Escreve
Esculpe
Chora
Ouve
Canta
Cresce
Vive
Encanta
Ilumina
Inspira
Cria
Ama ...

Tudo
Nada
Início
Meio
Fim
Eterno
Imediato
Forte
Terno
Morte
Vida
Luz
Beleza
Cruz
Certeza!
..
- Por Jefferson Luz
Rio de Janeiro, Julho de 2005 -

30.7.05

Possessivo

do Lat. possessivu

adj.,
que designa posse;
dominador;
obcecado com o desejo de posse;


"O que é meu é meu e o que é seu é meu!"

8.7.05

O mundo mudou ?

"Como saber se o mundo mudou?

Simples:Você sabe que o mundo mudou quando o melhor rapper é branco, o melhor golfista é negro, a pessoa mais popular é uma lacraia, o guaraná Antarctica vende mais no México que Coca-Cola, a França acusa os EUA de arrogância e a Alemanha não quer a guerra. Agora, se o Rubinho for campeão e o Lula falar inglês, corra. É o apocalipse..."

9.6.05

Tic, tac... tic, tac...

.

... tic, tac... tic, tac... tic, tac... tic, tac...

.

10 de junho de 1983 - Meu tempo começa a ser contado.

- Página pessoal -

24.5.05

Caixinha de Verdades

"Os homens mais o deiam o mal

do que amam o bem"

18.5.05

Seria ingratidão?

A rua já estava deserta. Com as mãos nos bolsos comprimia meus braços contra o corpo tentando afastar o leve frio de uma típica noite de inverno daquelas bandas de lá. A rua deserta alimentava o sentimento de abandono enquanto olhava para meus próprios sapatos, ritmando cada passo no cinza escuro do asfalto, lamentando com meus pensamentos sobre as decepções que me garantiu aquelas poucas horas, desde o momento que me levantei da cama.

Como havia sido difícil encarar o despedir do dia sabendo que não há segunda chance, com aquele desejo de correr para trás na esperança de que o sol correria comigo e eu poderia fazer tudo diferente. Ainda que eu pensasse, com alguma razão, que o problema não era eu mesmo, e que estava, mais uma vez, sendo vítima das circunstâncias, desejava voltar. Talvez alguma coisa mudasse, talvez eu mesmo.

Faltava alguns metros para chegar em casa. Abatido demais para cumprimentar alguém e educado demais para não o fazer, acenei para uma amiga que vinha pelo outro lado da calçada, por segundos tentei imaginar o que ela fazia por estar sozinha e ser tão tarde, foi nesse ponto onde, sem muito esforço, abri um sorriso que sempre convence até a mim, e a saudei – Olá, tudo bem? – A resposta veio como aquele clarão repentino que faz doer os olhos – E como poderia não estar com uma lua dessas no céu?

Ela continuou seu caminho. Os poucos passos até minha casa foram brotando algo que se confunde com esperança, como que me acostumando com a claridade, uma sensação parecida quando se descobre algo novo.

Com a chave no portão, relutei abrir e entrar, por fim, deitei na calçada, admirado demais para ver o tempo passar, olhando para aquela linda noite de lua cheia.

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7.5.05

Na porta da geladeira...

Vou passar uma semana sem postar por estar de folga, mas podem aproveitar os posts abaixo.
Nos vemos em uma semana.
Abraços!

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Ensaio

A porta entreaberta deixava entrar a pouca luz da sala ao lado, ainda assim, ao frescor e zumbido do velho ventilador, debruçado no andar de baixo daquele beliche meio enferrujado, como que por extinto, enxergando somente as sombras dos movimentos de sua mão, empurrava suas palavras no esquecido caderno que, agora desperto, voltava a bocejar o que noites acalentaram do caminhar do sol em viver o seu dia.
Ele não sabia como dizer e perece que não tinha mesmo o que dizer, a não ser quanto as divagações se tal fato era bom ou não fazia diferença.
Enquanto questionava se o vão esforço de encontrar algo no alforje do pensamento simplesmente pelo vão esforço em traduzir a verdade que inflamava dentro de si, faria com que essa mesma verdade deixasse de ser. Sempre lhe disseram que é preciso acreditar no que se diz, crer no que se escreve e entender a ambos. Seria, pois, verdade, a capacidade de tão somente viver as mesmas que não conseguia explicar, após decepções de tentativas frustradas em transcrever naquelas páginas empoeiradas? Contudo, raramente o desejo é passivo, a vontade de fazê-lo o segurava ali, por longo tempo, com um lápis mal apontado na mão que escreveu alguns rascunhos sem sentido. Sentia-se como um pintor cujos olhos brilham em cores, mas lhe é impossível tecer um único risco na tela, como um músico sentindo a harmonia de acordes novos, mas que é incapaz de tocar uma única pauta. Era como um quebra-cabeça montado ainda que suas peças estivessem embaralhadas.
Será o pintar, o tocar, o escrever, que traz todo esse sentimento ao que se entende como sendo real? Alguém apagou a luz da sala ao lado. Para evitar que suas palavras se atropelassem nas linhas e entrelinhas, escolheu largar o caderno no chão, pôs sobre ele o lápis e deitou-se a dormir.