"Vamos consertar o mundo["Vamos Viver". Composição: Indisponível. Já interpretada por Sandra de Sá e por Herbert Viana]
Vamos começar lavando os pratos
Nos ajudar uns aos outros
Me deixe amarrar os seus sapatos
Vamos acabar com a dor
E arrumar os discos numa prateleira
Vamos viver só de amor
Que o aluguel vence na terça-feira
O sonho agora é real
E a chuva cai por uma fresta no telhado
Por onde também passa o sol
Hoje é dia de super mercado
Vamos viver só de amor
Vamos viver só de amor
Vamos viver só de amor"
14.7.06
"O sonho agora é real"
10.7.06
4.7.06
Antitype
"Even though you've been raised as a human being you're not one of them. They can be a great people, Kal-El. They wish to be. They only lack the light to show the way. For this reason above all - their capacity for good - I have sent them you... my only son." - Jor-El.
"The world doesn’t need a savior, and neither do I." - Louis Lane.
"But everyday I hear people crying out for one" - Superman.
.
"The world doesn’t need a savior, and neither do I." - Louis Lane.
"But everyday I hear people crying out for one" - Superman.
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9.6.06
Em 1983...
Começou mais ou menos às quatro e meia da manhã...
Tic-tac, Tic-tac, Tic-tac...
E pensar que já tentei parar o tempo.
Mas mesmo que me deite,
a terra continua girando,
como naqueles filmes antigos onde o carro tá parado
e o cenário vai passando,
mas aqui é o contrário
Ele pensa que tá parado,
e na verdade tá andando.
Eu posso querer parar.
Freios a disco colossais na engrenagem do mundo.
Ou um "PARE" gigante
pra depois da próxima curva dessa órbita.
Talvez o piloto da Terra respeite nossos sinais de trânsito.
Talvez o que aperta os botôes pare a máquina Universo.
Uma peça quebrada.
Então sopra o apito.
O botão vermelho.
Nos nossos botões sempre é o vermelho.
Tic-tac, Tic-tac, Tic-tac...
Ele queria trilha sonora
queria cor de cinema.
Descobri que tem cinema depois da janta.
Que tem musica antes do despertador.
Não dava rosa nem azul
Tudo amarelo e verde
Ela não sabia se era menino ou menina
O menino tentou parar o mundo
A menina ficou no sonho.
Ela nem queria mesmo.
Ela ama o menino.
O menino tentou parar o mundo.
Segundo herdeiro de quase nada.
Herdeiro de tudo.
Ele ama o menino.
Gosto do verde da almofada.
Ele sabia que eu viria.
Não quero mais parar o mundo.
Ele toca todos os dias.
Tem trilha sonora.
Dá pra ouvir o relógio.
Terminou ás cinco e trinta e seis...
Tum-tum, Tum-tum, Tum-tum...
Tic-tac, Tic-tac, Tic-tac...
E pensar que já tentei parar o tempo.
Mas mesmo que me deite,
a terra continua girando,
como naqueles filmes antigos onde o carro tá parado
e o cenário vai passando,
mas aqui é o contrário
Ele pensa que tá parado,
e na verdade tá andando.
Eu posso querer parar.
Freios a disco colossais na engrenagem do mundo.
Ou um "PARE" gigante
pra depois da próxima curva dessa órbita.
Talvez o piloto da Terra respeite nossos sinais de trânsito.
Talvez o que aperta os botôes pare a máquina Universo.
Uma peça quebrada.
Então sopra o apito.
O botão vermelho.
Nos nossos botões sempre é o vermelho.
Tic-tac, Tic-tac, Tic-tac...
Ele queria trilha sonora
queria cor de cinema.
Descobri que tem cinema depois da janta.
Que tem musica antes do despertador.
Não dava rosa nem azul
Tudo amarelo e verde
Ela não sabia se era menino ou menina
O menino tentou parar o mundo
A menina ficou no sonho.
Ela nem queria mesmo.
Ela ama o menino.
O menino tentou parar o mundo.
Segundo herdeiro de quase nada.
Herdeiro de tudo.
Ele ama o menino.
Gosto do verde da almofada.
Ele sabia que eu viria.
Não quero mais parar o mundo.
Ele toca todos os dias.
Tem trilha sonora.
Dá pra ouvir o relógio.
Terminou ás cinco e trinta e seis...
Tum-tum, Tum-tum, Tum-tum...
3.6.06
Nosotros
No final, percebemos que não tratava-se de roteiros, produção, edição, ângulos e movimentos de câmera, locações, atores, perfeições... O nosso coração é que foi moldado. Quatro semanas em Buenos Aires, no Seminário de Produção Audiovisual, construindo um avião em pleno ar. Tocando um concerto enquanto aprendíamos a ler partitura. O resultado foi o vídeo abaixo, nosso primeiro video, um pequeno começo, e eu o posto como memória e como gratidão.
"Nosotros" formamos um bom time! Obrigado amigos! Espero um reencontro em algum lugar desse mundinho, e quem sabe trabalhamos juntos de novo.
Saudade...
"Nosotros" formamos um bom time! Obrigado amigos! Espero um reencontro em algum lugar desse mundinho, e quem sabe trabalhamos juntos de novo.
Saudade...
31.5.06
A Despedida
Lugar Desconhecido, 31 de Maio de 7082, Calendário de Campos Gramados.
Saudações Risada-Mais-Gostosa,
Perdão pelo domingo. Estava no caminho para te buscar quando recebi notícias do Leste e precisei cavalgar, rápido, para além dos limites de Campos Gramados. Deixei uma carta com o Sr. Olhar-Que-Escuta-O-Vento, caso tenha ido à casa da Dona Flora sem mim. Se a recebeu, sabe porque fui embora, se não, peço que dirija seus rogos para Acima dos Céus ao meu favor, mas atenho-me a dizer-lhe aqui como foi minha partida.
Era meu primeiro encontro com este a quem se inclinou o doce coração de pólem da nossa amada amiga [e nosso último até aqui]. Ele sabia meu nome, e também conhecia o seu, talvez Dona Flora tenha mencionado, ou talvez ele possa mesmo entender os ventos. Perguntou-me se eu havia escrito algo a respeito do meu retorno na carta, eu disse um "sim", curioso com a pergunta. O vento sopra onde quer, meu amigo - Começou em tom preocupado - Se você escolhe segui-los, nem os desejos o controla. Mas há como aprender a fazer, desde a mais leve brisa até do mais forte tornado, aliados, em um tratado onde você respeita os caminhos do vento e ele considera os seus. E não me refiro aos "seus" como sendo somente você - Terminou com um leve sorriso, como quem queria dizer que eu sabia a quem ele se referia - Entregarei a carta se Linda-Princesa-E-Desejo-Dos-Seus-Olhos aparecer por aqui - Foi assim que se referiu a você, como se pudesse ver além do que eu mesmo entendo.
Ainda pensativo, respondi com um “Muito Obrigado” e virei-me para seguir jornada. Dona Flora saiu para se despedir com uma cesta adornada com flores, cheia de Bolinhos de Mel e Pães de Girassol - Provisões para a viagem - Disse ela, sorrindo como só mesmo ela e você sabem sorrir - Adeus Filho-De-Todo-Verde.
Virei-me com muita gratidão, ciente de que as provisões de Dona Flora durariam apenas os dois primeiros dias de cavalgada. Sai pensativo, caminhando e puxando meu cavalo, imaginando se toda essa história dos ventos, algum dia, possa fazer com que se cruzem nossos caminhos, para corrermos por Campos Gramados de novo fazendo ecoar risadas escandalosas de doer a barriga.
Olhei para trás, por cima dos ombros, enquanto saia pela Alameda do portão ao Leste, entre os canteiros de Copos-de-Leite e Mimos-de-Vênus, o que atraía os Beija-Flores. O Sr. Olhar-Que-Escuta-O-Vento acenava como que sinalizando para as brisas daquela confortável manhã, abraçado a Dona Flora, que agora lançava ao ar, tirando de uma cestinha de gravetos, pétalas brancas, amarelas, verdes e azuis. As pétalas, graciosamente, alçavam vôo e se espalhavam, como se cada uma soubesse exatamente onde pousaria seu destino.
Além do portão, não sabia o que me esperava, e ainda não sei. Mesmo agora, não posso dizer ao certo onde estou...
Que esta carta encontre seu caminho como as pétalas de Dona Flora, assim como devem fazer nossos pés.
Teu é meu ar,
Com amor.
Saudações Risada-Mais-Gostosa,
Perdão pelo domingo. Estava no caminho para te buscar quando recebi notícias do Leste e precisei cavalgar, rápido, para além dos limites de Campos Gramados. Deixei uma carta com o Sr. Olhar-Que-Escuta-O-Vento, caso tenha ido à casa da Dona Flora sem mim. Se a recebeu, sabe porque fui embora, se não, peço que dirija seus rogos para Acima dos Céus ao meu favor, mas atenho-me a dizer-lhe aqui como foi minha partida.
Era meu primeiro encontro com este a quem se inclinou o doce coração de pólem da nossa amada amiga [e nosso último até aqui]. Ele sabia meu nome, e também conhecia o seu, talvez Dona Flora tenha mencionado, ou talvez ele possa mesmo entender os ventos. Perguntou-me se eu havia escrito algo a respeito do meu retorno na carta, eu disse um "sim", curioso com a pergunta. O vento sopra onde quer, meu amigo - Começou em tom preocupado - Se você escolhe segui-los, nem os desejos o controla. Mas há como aprender a fazer, desde a mais leve brisa até do mais forte tornado, aliados, em um tratado onde você respeita os caminhos do vento e ele considera os seus. E não me refiro aos "seus" como sendo somente você - Terminou com um leve sorriso, como quem queria dizer que eu sabia a quem ele se referia - Entregarei a carta se Linda-Princesa-E-Desejo-Dos-Seus-Olhos aparecer por aqui - Foi assim que se referiu a você, como se pudesse ver além do que eu mesmo entendo.
Ainda pensativo, respondi com um “Muito Obrigado” e virei-me para seguir jornada. Dona Flora saiu para se despedir com uma cesta adornada com flores, cheia de Bolinhos de Mel e Pães de Girassol - Provisões para a viagem - Disse ela, sorrindo como só mesmo ela e você sabem sorrir - Adeus Filho-De-Todo-Verde.
Virei-me com muita gratidão, ciente de que as provisões de Dona Flora durariam apenas os dois primeiros dias de cavalgada. Sai pensativo, caminhando e puxando meu cavalo, imaginando se toda essa história dos ventos, algum dia, possa fazer com que se cruzem nossos caminhos, para corrermos por Campos Gramados de novo fazendo ecoar risadas escandalosas de doer a barriga.
Olhei para trás, por cima dos ombros, enquanto saia pela Alameda do portão ao Leste, entre os canteiros de Copos-de-Leite e Mimos-de-Vênus, o que atraía os Beija-Flores. O Sr. Olhar-Que-Escuta-O-Vento acenava como que sinalizando para as brisas daquela confortável manhã, abraçado a Dona Flora, que agora lançava ao ar, tirando de uma cestinha de gravetos, pétalas brancas, amarelas, verdes e azuis. As pétalas, graciosamente, alçavam vôo e se espalhavam, como se cada uma soubesse exatamente onde pousaria seu destino.
Além do portão, não sabia o que me esperava, e ainda não sei. Mesmo agora, não posso dizer ao certo onde estou...
Que esta carta encontre seu caminho como as pétalas de Dona Flora, assim como devem fazer nossos pés.
Teu é meu ar,
Com amor.
7.5.06
DiariaMente
Não sou o único que não gosta de bagunça. E por vocês, que de vez em quando passam por este espaço, mesmo com tantas opções na rede, não posso simplesmente levar a poeira para debaixo do tapete. No entanto, não quero fazer outra faxina por aqui, como diz mamãe, o melhor mesmo é manter sempre limpo. Minha Renite Alérgica sobreviveu à última cortina de poeira das vassouradas de meses de desocupação, mas não agora. Não posso arriscar mais noites empilhando pedaços de papel higiênico encharcados ao lado da cama. E não serão os afazeres das últimas duas semanas que vão desanimar-me, nem o ócio do sábado e muito menos o dia de hoje, dia da ressurreição, sagrado dia na rotina cristã, dia do Senhor desde o original, em latim, e dia do sol em Sunday e Sonntag. Dia propício para lembrar que todo dia é dia de limpeza, de atualizar, de reinventar, de repensar, de redescobrir, de significar... que todo o dia é dia. Não sou o único que não gosta de bagunça. O melhor mesmo é manter sempre limpo...
17.4.06
Antes de ovos e chocolate...
Saímos a caminho de Jerusalém. A alegria desta época do ano pairava de uma forma diferente, como que esperando, ansiosa, reflexiva e aconchegante. Meu filho perguntou – Papai, o que acontecerá ali? Há tantas coisas que eu ainda não entendi. - Enquanto caminhávamos, contei-lhes novamente sobre Abraão, Isaque e Jacó; relatei alguns feitos dos grandes reis e, por último, narrei a Grande História, de quando ainda nem éramos uma nação, e como escravos, o anjo da morte, na última praga, poupou os primogênitos de nossos pais pela marca do sangue de um cordeiro, praga que fez o poderoso Faraó permitir nosso êxodo, nossa liberdade. Depois de falar-lhes sobre Moisés, a travessia no mar e no deserto, eu disse às crianças – Cuidem do cordeirinho.
Ao chegarmos à cidade, ouvimos rumores estranhos sobre coisas estranhas e, de fato, o povo não cantava, as crianças não sorriam. Toda a atenção estava voltada para o pátio do Procurador, quando, mesmo de uma certa distância, ouvimos os gritos pedindo a sentença – Crucifica-o! Crucifica-o! Para a Cruz! A Cruz!
Tentamos escapar da confusão. Não queríamos fazer parte do que estava para acontecer. Somos pessoas de bem... Se ao menos tivéssemos conseguido chegar ao templo, ofereceríamos os sacrifícios e... Mas quem era aquele homem? Quase todo o colégio sacerdotal se ocupava de acusá-lo. Fiquei imaginando o que fez ele de tão ruim; deveria ter sido uma grande ofensa ao Deus de Israel.
Alguém disse – Lá está Jesus! - Eu não queria acreditar... Um homem tão machucado, o sangue que corria do seu corpo mutilado, a armação de espinhos cravada na fronte, e a cruz... tão pesada. Procurei em seus olhos o brilho fosco deste pecado que incitava a multidão, mas... Eles andavam à caminho do Monte Caveira. E no momento em que caiu... A cruz sobre seu corpo enquanto alguns aplaudiam e outros mostravam pena, piedade e até mesmo aflição. Naquele momento... Acho que eu estava perto demais, e nem me lembro porque cheguei tão perto. E foi naquele momento que, olhando para ele, senti agonia e uma dor profunda. Então o soldado romano gritou – Você! Carregue a cruz! - Eu pensei em resistir, mas ele tinha a espada na mão. Ajoelhei-me, tirei a cruz de sobre seu corpo, levantei-a e ... seu sangue nas minhas roupas... continuei a caminhada levando a arma que levaria aquele homem agonizante, arrastando-se ao meu lado, à morte.
Ao chegarmos ao Calvário, pregaram seus pés, suas mãos, e ergueram a cruz... Naquele momento, na cruz, ele falou – Pai, perdoa os meus irmãos – Eu nunca havia visto tanto amor nos olhos de quem sofre. Ele disse – Está feito – E morreu...
Pasmado por um momento, fiquei sem perceber quando meu filho me abraçou, com o desespero natural das crianças quando cometem algum erro e temem a correção. Chorando, disse-me o mais velho – Papai, nos perdoe, o cordeirinho escapou. - Meu filho perguntou – O que aconteceu aqui? Há tanta coisa que ainda não entendi. - Coloquei-o nos meus braços e, olhando para a cruz, disse à eles – Queridos, lá está o cordeiro, Jesus.
(Texto inspirado em uma canção, que não me lembro o nome, do cantor Júnior.)
Ao chegarmos à cidade, ouvimos rumores estranhos sobre coisas estranhas e, de fato, o povo não cantava, as crianças não sorriam. Toda a atenção estava voltada para o pátio do Procurador, quando, mesmo de uma certa distância, ouvimos os gritos pedindo a sentença – Crucifica-o! Crucifica-o! Para a Cruz! A Cruz!
Tentamos escapar da confusão. Não queríamos fazer parte do que estava para acontecer. Somos pessoas de bem... Se ao menos tivéssemos conseguido chegar ao templo, ofereceríamos os sacrifícios e... Mas quem era aquele homem? Quase todo o colégio sacerdotal se ocupava de acusá-lo. Fiquei imaginando o que fez ele de tão ruim; deveria ter sido uma grande ofensa ao Deus de Israel.
Alguém disse – Lá está Jesus! - Eu não queria acreditar... Um homem tão machucado, o sangue que corria do seu corpo mutilado, a armação de espinhos cravada na fronte, e a cruz... tão pesada. Procurei em seus olhos o brilho fosco deste pecado que incitava a multidão, mas... Eles andavam à caminho do Monte Caveira. E no momento em que caiu... A cruz sobre seu corpo enquanto alguns aplaudiam e outros mostravam pena, piedade e até mesmo aflição. Naquele momento... Acho que eu estava perto demais, e nem me lembro porque cheguei tão perto. E foi naquele momento que, olhando para ele, senti agonia e uma dor profunda. Então o soldado romano gritou – Você! Carregue a cruz! - Eu pensei em resistir, mas ele tinha a espada na mão. Ajoelhei-me, tirei a cruz de sobre seu corpo, levantei-a e ... seu sangue nas minhas roupas... continuei a caminhada levando a arma que levaria aquele homem agonizante, arrastando-se ao meu lado, à morte.
Ao chegarmos ao Calvário, pregaram seus pés, suas mãos, e ergueram a cruz... Naquele momento, na cruz, ele falou – Pai, perdoa os meus irmãos – Eu nunca havia visto tanto amor nos olhos de quem sofre. Ele disse – Está feito – E morreu...
Pasmado por um momento, fiquei sem perceber quando meu filho me abraçou, com o desespero natural das crianças quando cometem algum erro e temem a correção. Chorando, disse-me o mais velho – Papai, nos perdoe, o cordeirinho escapou. - Meu filho perguntou – O que aconteceu aqui? Há tanta coisa que ainda não entendi. - Coloquei-o nos meus braços e, olhando para a cruz, disse à eles – Queridos, lá está o cordeiro, Jesus.
(Texto inspirado em uma canção, que não me lembro o nome, do cantor Júnior.)
13.4.06
Minhas novas primeiras vezes
Como dizem - Sempre tem uma primeira vez. Pensando nisso, acabo de imaginar-me sentado na beira da cama, nú, escondendo as mãos entre as pernas, retraído, tímido na noite de núpcias e até meio amedrontado, confessando: essa é a minha primeira vez. As cenas deste último fim de semana não foram assim, tão bizarras, mas foram dias de muitas primeiras vezes.
Foi a primeira vez que visitei o sul de nosso solo pátrio. A primeira vez que o dia não estava nublado e pude ver São Paulo de cima. A primeira vez que meu cartão bancário foi bloqueado, que deixei um recadinho para a comissária de bordo, que não carreguei bagagem em excesso. A primeira vez que, aqueles amigos que primeiro abracei no Rio, beijei em Joinville, e que de Joinville ganhei novos amigos. A primeira vez que tomei Capirinha de Vinho (vinho com açucar, gelo e limão), que comi melado, pão com doce de leite e maionese juntos, um tipo de torta de banana com um nome em alemão que não me lembro, e o famoso churrasco dos sulistas (que tem mesmo razão de ser famoso). Falei minhas primeiras palavras em alemão e foi a primeira vez que tentei desbloquear meu cartão. A primeira vez que vou a uma igreja Luterana. A primeira vez que fui da equipe azul e que, com a equipe azul, ganhamos três das quatro tarefas em uma gincana que todos ganham. A primeira vez que assisti "Jogos Mortais II", que comi pastel de chocolate com morango, que tomei café em uma mesa onde cada um tem sua própria faca pra cortar o pão. A primeira vez que ri de piadas do Chuck Norris, que vi drogada comparar a lua com tapioca (em peça teatral), que não tive crise de claustrofobia ao dormir em barraca nem crise alérgica pela mudança de clima.
Algumas coisas, eu me lembro, já aconteceram antes, mas são momentos tão especiais, na companhia de amigos tão especiais, que é como se fosse a primeira vez (isso pareceu até nome de filme ...rs): Corremos na grama até cair, fizemos guerra de balão de água, demos risadas de doer a barriga, sonhamos sobre nossos sonhos, acordamos com sorrisos de "Bom Dia!", choramos, cantamos, dançamos, dormimos ao relento, olhando o céu, torcendo pra ver estrela cadente, procurando desenho em nuvens, contando quantos braços seriam necessários para alcançar essa ou aquela estrela, vendo a noite passar, falando bobeira, compartilhando amor, e para a lista das primeiras vezes, conheci uma nova constelação e vi o Cruzeiro do Sul, desde o sul.
Pela primeira vez, pedaços de mim ficaram em Joinville, nos amigos que lá estão e nos novos amigos de lá. Agora tenho uma desculpa pra voltar, afinal, preciso tentar buscar o que ficou pra trás, mas é claro que isso é só uma desculpa, na verdade, não pretendo trazer nada de volta.
Saudades...
Foi a primeira vez que visitei o sul de nosso solo pátrio. A primeira vez que o dia não estava nublado e pude ver São Paulo de cima. A primeira vez que meu cartão bancário foi bloqueado, que deixei um recadinho para a comissária de bordo, que não carreguei bagagem em excesso. A primeira vez que, aqueles amigos que primeiro abracei no Rio, beijei em Joinville, e que de Joinville ganhei novos amigos. A primeira vez que tomei Capirinha de Vinho (vinho com açucar, gelo e limão), que comi melado, pão com doce de leite e maionese juntos, um tipo de torta de banana com um nome em alemão que não me lembro, e o famoso churrasco dos sulistas (que tem mesmo razão de ser famoso). Falei minhas primeiras palavras em alemão e foi a primeira vez que tentei desbloquear meu cartão. A primeira vez que vou a uma igreja Luterana. A primeira vez que fui da equipe azul e que, com a equipe azul, ganhamos três das quatro tarefas em uma gincana que todos ganham. A primeira vez que assisti "Jogos Mortais II", que comi pastel de chocolate com morango, que tomei café em uma mesa onde cada um tem sua própria faca pra cortar o pão. A primeira vez que ri de piadas do Chuck Norris, que vi drogada comparar a lua com tapioca (em peça teatral), que não tive crise de claustrofobia ao dormir em barraca nem crise alérgica pela mudança de clima.
Algumas coisas, eu me lembro, já aconteceram antes, mas são momentos tão especiais, na companhia de amigos tão especiais, que é como se fosse a primeira vez (isso pareceu até nome de filme ...rs): Corremos na grama até cair, fizemos guerra de balão de água, demos risadas de doer a barriga, sonhamos sobre nossos sonhos, acordamos com sorrisos de "Bom Dia!", choramos, cantamos, dançamos, dormimos ao relento, olhando o céu, torcendo pra ver estrela cadente, procurando desenho em nuvens, contando quantos braços seriam necessários para alcançar essa ou aquela estrela, vendo a noite passar, falando bobeira, compartilhando amor, e para a lista das primeiras vezes, conheci uma nova constelação e vi o Cruzeiro do Sul, desde o sul.
Pela primeira vez, pedaços de mim ficaram em Joinville, nos amigos que lá estão e nos novos amigos de lá. Agora tenho uma desculpa pra voltar, afinal, preciso tentar buscar o que ficou pra trás, mas é claro que isso é só uma desculpa, na verdade, não pretendo trazer nada de volta.
Saudades...
4.4.06
Devaneios da manhã.
Aquela gaivota sobrevoa o breve caos do porto, enquando a madrugada acorda o dia. Ela avista, lá em baixo, na dança da maré, alguma coisa brilhando, refletindo os primeiros raios tímidos do sol, na luta por alcançar a margem. A ave imagina, por efeito daquele raro brilho e também por não estar completamente desperta, que fosse algum peixe exótico que lhe conferiria poderes para respirar em baixo d'água. Ela dá um razante já deliciando o banquete com todos os novos sabores que encontraria além do solo liquido, depois de comer as barbatanas encantadas. Por um reflexo, no exato momento antes de dar uma bicanhada, o que iria resultar em uma baita dor de bico, a alada que sonhava nadar percebe que não trata-se de um peixe, muito menos um peixe mágico. É um objeto de um verde transparente (Nós chamamos de vidro, mas é claro que as gaivotas não sabem disso). Há algo lá dentro, como um rolo de uma folha seca e quadrada, amarrado no meio com um barbante. O objeto está tapado com uma rolha. Grafado no fundo, tem um círculo, que não é exatamente um círculo, como se desenhado por uma criança da pré-escola, e há inscrições ao redor, que aparenta ser alguma caligrafia desconhecida. A gaivota volta frustrada, para sua caça matinal, enquando a garrafa quase pousa na areia...
28.3.06
Nossa A-Brasilidade e o Carnaval
Em bate-papo com Bráulia Ribeiro, lingüista e presidente nacional da agência missionária Jovens Com Uma Missão (Jocum-Brasil), entrevista que será publicada na primeira edição do programa Integração B, conversamos sobre o nosso posicionamento como cristãos brasileiros em relação ao Carnaval.
Na expectativa de que possamos pensar um pouco mais sobre isso, decidi deixar a entrevista à disposição aqui em Nos Ares.
IB – O Carnaval é palco para diversas expressões artísticas, a exemplo da música, das escolas de samba em São Paulo e Rio de Janeiro e os trios elétricos de Salvador. O que toda a arte do Carnaval expressa a respeito do povo brasileiro?
Bráulia - O Carnaval é uma das expressões mais importantes da nossa cultura, do que a nossa cultura tem de celebração, de prazer pela vida. O brasileiro é aquele que gosta de viver e qualquer coisa é motivo para uma festa. Então isso é o Carnaval. É aquela festa do país inteiro. Quando nós falamos em redefinir, em repensar a cultura brasileira, em cristianizar a cultura brasileira nós não jogamos fora aquilo que é bom.
IB – Existe certa aversão da igreja em relação ao Carnaval. Quais seriam as desvantagens disso, e como nós poderíamos olhar essa festa com olhos diferentes?
Bráulia – A Igreja em geral não tem aversão à festa, a igreja recria essa mesma festa em outro contexto. Por exemplo, a “Marcha Para Jesus” é uma espécie de Carnaval dos crentes. Onde todo mundo se reúne e celebra. Celebra a Jesus, celebra sua igreja, celebra sua denominação. É festa do mesmo jeito. Mas porque nós temos uma mania de criar uma cultura alternativa, e não interferir com a cultura nacional, e não tentar reconstruir com valores cristãos a cultura nacional, nós reinventamos uma cultura paralela. E uma maneira diferente de pensar, seria tentar contribuir com a cultura, tentar comunicar os valores cristãos para a cultura que já está, ao invés de criar um movimento alternativo, ao invés de se fechar num gueto evangélico.
IB – Porque isso aconteceu? Porque a igreja se fechou nesse “gueto evangélico”?
Bráulia – Eu creio que, em parte, foi para se proteger. Durante muitos anos nós éramos um grupinho pequeno, encolhido. Nós nos protegíamos da cultura nacional com uma idéia errada de santidade. Nós ouvimos que santidade é se separar. Eu acho que devemos buscar redefinir alguns conceitos cristãos. Nós nos separamos sim, mas nos separamos não da cultura envolvente, não do mundo. Jesus falou: “Não vou tirá-los do mundo, mas vou livrá-los do mal”. Mas nós nos separamos do mundo, nos separamos das pessoas do mundo, nos separamos daquilo que é cultura, daquilo que é parte da nossa identidade, ao invés de confrontar aquela identidade com os valores cristãos. Então o conceito de santidade deveria ser: Nós nos separamos para ele. Com isso nós separamos o que é bom da cultura do que é ruim, promovemos o que é bom e deixamos pra lá o que é ruim.
IB – O Carnaval alcançou proporções tais, a ponto de merecer o reconhecimento de maior festa popular do mundo. Você acredita que há esperança para a redenção do Carnaval?
Bráulia – Essa é uma pergunta difícil. Eu não quero dar a impressão de que estou advogando os crentes ficarem pulando carnaval, mas eu também não acho que é se escondendo em Retiros que nós vamos conseguir ter alguma vitória. Nós temos que orar, temos que buscar estratégias, temos que pensar... Quem sabe escolas de samba cristãs mostrando a história do evangelho nas ruas seja uma alternativa. Deus é muito criativo e o povo de Deus é criativo para ter influência.
IB – Quais as desvantagens, em termos de identificação com o povo brasileiro, que nossa ausência no Carnaval produz?
Bráulia - A ausência do povo de Deus de qualquer contexto produz podridão. Nós somos o sal da terra, somos a luz do mundo. Então quando nós não estamos presentes, temos uma sociedade em trevas. Em qualquer contexto social onde o povo de Deus se afasta, só sobra desespero. E é isso o que tem acontecido com o carnaval. Nós temos nos afastado até do diálogo com a cultura nacional em geral, não só com o Carnaval, e isso tem produzido um Brasil cada vez mais corrompido, cada vez mais vazio dos valores verdadeiros, cada vez mais necessitado de referências. Será que nós vamos ser essas referências? Será que nós vamos ser capazes de dar para o Brasil referências morais nessa época de desespero que nós estamos vivendo? Ou nós vamos simplesmente criar o caos. Pelo afastamento dos cristãos cria-se o caos, eu acredito.
IB – Na sua opinião, qual é o sonho de Deus para o Carnaval?
Bráulia – Eu acho que Deus quer ser glorificado através de toda expressão cultural. Toda cultura, todo povo, cria suas manifestações artísticas, musicais, dançantes... E essas manifestações são manifestações de louvor na sua essência, porque tudo o que nós fazemos é na sua essência aquela nossa necessidade de contato com o eterno, porque nós somos seres eternos. Então o Carnaval seria, talvez, a maior celebração de louvor que existe na face da terra se a gente tivesse a capacidade de redimir essa festa, de entrar lá e transformar o contexto completamente. E eu não acho que isso iria tirar a graça do Carnaval, porque a graça do Carnaval não está no crime, não está no sexo pervertido, não está na falta de limites. A graça do Carnaval está na celebração, está na alegria; na liberdade alegre que existe na festa.
IB – O que você diria, como um convite, para que possamos ser integrados nesse processo de redenção cultural?
Bráulia – A nossa identidade cultural é parte de quem nós somos. É muito difícil tirar, por exemplo, da Bráulia, a mineiridade, porque eu sou mineira. É muito difícil tirar do carioca a carioquês dele e ele continuar sendo quem ele é. Nós não podemos rejeitar nossa identidade. Nessa rejeição da identidade nacional nós rejeitamos quem Deus nos fez pra ser. Rejeitando a nossa brasilidade rejeitamos a Deus com a criatividade que ele espalhou aqui nessa Terra Brasil. Então acho que é tempo de nós, cristãos, entendermos quem nós somos em Deus. Não ter vergonha da nossa identidade. Não tentar copiar as identidades cristãs de fora. Eu ouvi uma vez alguém dizendo que brasileiro não sabe adorar, brasileiro só sabe gritar. Gritar é adorar! Dançar é adorar! Celebrar é adorar! São expressões diferentes de adoração. Nós temos uma capacidade extrovertida de adoração que é nossa! Então acho que nós temos que pensar em resgatar a brasilidade; de uma maneira santa, de uma maneira amorosa, de uma maneira justa, de uma maneira de Deus, e nós vamos ser capazes, quando fizermos isso, de dar muitas respostas para essa sociedade desesperada que anda por aí.
Na expectativa de que possamos pensar um pouco mais sobre isso, decidi deixar a entrevista à disposição aqui em Nos Ares.
IB – O Carnaval é palco para diversas expressões artísticas, a exemplo da música, das escolas de samba em São Paulo e Rio de Janeiro e os trios elétricos de Salvador. O que toda a arte do Carnaval expressa a respeito do povo brasileiro?
Bráulia - O Carnaval é uma das expressões mais importantes da nossa cultura, do que a nossa cultura tem de celebração, de prazer pela vida. O brasileiro é aquele que gosta de viver e qualquer coisa é motivo para uma festa. Então isso é o Carnaval. É aquela festa do país inteiro. Quando nós falamos em redefinir, em repensar a cultura brasileira, em cristianizar a cultura brasileira nós não jogamos fora aquilo que é bom.
IB – Existe certa aversão da igreja em relação ao Carnaval. Quais seriam as desvantagens disso, e como nós poderíamos olhar essa festa com olhos diferentes?
Bráulia – A Igreja em geral não tem aversão à festa, a igreja recria essa mesma festa em outro contexto. Por exemplo, a “Marcha Para Jesus” é uma espécie de Carnaval dos crentes. Onde todo mundo se reúne e celebra. Celebra a Jesus, celebra sua igreja, celebra sua denominação. É festa do mesmo jeito. Mas porque nós temos uma mania de criar uma cultura alternativa, e não interferir com a cultura nacional, e não tentar reconstruir com valores cristãos a cultura nacional, nós reinventamos uma cultura paralela. E uma maneira diferente de pensar, seria tentar contribuir com a cultura, tentar comunicar os valores cristãos para a cultura que já está, ao invés de criar um movimento alternativo, ao invés de se fechar num gueto evangélico.
IB – Porque isso aconteceu? Porque a igreja se fechou nesse “gueto evangélico”?
Bráulia – Eu creio que, em parte, foi para se proteger. Durante muitos anos nós éramos um grupinho pequeno, encolhido. Nós nos protegíamos da cultura nacional com uma idéia errada de santidade. Nós ouvimos que santidade é se separar. Eu acho que devemos buscar redefinir alguns conceitos cristãos. Nós nos separamos sim, mas nos separamos não da cultura envolvente, não do mundo. Jesus falou: “Não vou tirá-los do mundo, mas vou livrá-los do mal”. Mas nós nos separamos do mundo, nos separamos das pessoas do mundo, nos separamos daquilo que é cultura, daquilo que é parte da nossa identidade, ao invés de confrontar aquela identidade com os valores cristãos. Então o conceito de santidade deveria ser: Nós nos separamos para ele. Com isso nós separamos o que é bom da cultura do que é ruim, promovemos o que é bom e deixamos pra lá o que é ruim.
IB – O Carnaval alcançou proporções tais, a ponto de merecer o reconhecimento de maior festa popular do mundo. Você acredita que há esperança para a redenção do Carnaval?
Bráulia – Essa é uma pergunta difícil. Eu não quero dar a impressão de que estou advogando os crentes ficarem pulando carnaval, mas eu também não acho que é se escondendo em Retiros que nós vamos conseguir ter alguma vitória. Nós temos que orar, temos que buscar estratégias, temos que pensar... Quem sabe escolas de samba cristãs mostrando a história do evangelho nas ruas seja uma alternativa. Deus é muito criativo e o povo de Deus é criativo para ter influência.
IB – Quais as desvantagens, em termos de identificação com o povo brasileiro, que nossa ausência no Carnaval produz?
Bráulia - A ausência do povo de Deus de qualquer contexto produz podridão. Nós somos o sal da terra, somos a luz do mundo. Então quando nós não estamos presentes, temos uma sociedade em trevas. Em qualquer contexto social onde o povo de Deus se afasta, só sobra desespero. E é isso o que tem acontecido com o carnaval. Nós temos nos afastado até do diálogo com a cultura nacional em geral, não só com o Carnaval, e isso tem produzido um Brasil cada vez mais corrompido, cada vez mais vazio dos valores verdadeiros, cada vez mais necessitado de referências. Será que nós vamos ser essas referências? Será que nós vamos ser capazes de dar para o Brasil referências morais nessa época de desespero que nós estamos vivendo? Ou nós vamos simplesmente criar o caos. Pelo afastamento dos cristãos cria-se o caos, eu acredito.
IB – Na sua opinião, qual é o sonho de Deus para o Carnaval?
Bráulia – Eu acho que Deus quer ser glorificado através de toda expressão cultural. Toda cultura, todo povo, cria suas manifestações artísticas, musicais, dançantes... E essas manifestações são manifestações de louvor na sua essência, porque tudo o que nós fazemos é na sua essência aquela nossa necessidade de contato com o eterno, porque nós somos seres eternos. Então o Carnaval seria, talvez, a maior celebração de louvor que existe na face da terra se a gente tivesse a capacidade de redimir essa festa, de entrar lá e transformar o contexto completamente. E eu não acho que isso iria tirar a graça do Carnaval, porque a graça do Carnaval não está no crime, não está no sexo pervertido, não está na falta de limites. A graça do Carnaval está na celebração, está na alegria; na liberdade alegre que existe na festa.
IB – O que você diria, como um convite, para que possamos ser integrados nesse processo de redenção cultural?
Bráulia – A nossa identidade cultural é parte de quem nós somos. É muito difícil tirar, por exemplo, da Bráulia, a mineiridade, porque eu sou mineira. É muito difícil tirar do carioca a carioquês dele e ele continuar sendo quem ele é. Nós não podemos rejeitar nossa identidade. Nessa rejeição da identidade nacional nós rejeitamos quem Deus nos fez pra ser. Rejeitando a nossa brasilidade rejeitamos a Deus com a criatividade que ele espalhou aqui nessa Terra Brasil. Então acho que é tempo de nós, cristãos, entendermos quem nós somos em Deus. Não ter vergonha da nossa identidade. Não tentar copiar as identidades cristãs de fora. Eu ouvi uma vez alguém dizendo que brasileiro não sabe adorar, brasileiro só sabe gritar. Gritar é adorar! Dançar é adorar! Celebrar é adorar! São expressões diferentes de adoração. Nós temos uma capacidade extrovertida de adoração que é nossa! Então acho que nós temos que pensar em resgatar a brasilidade; de uma maneira santa, de uma maneira amorosa, de uma maneira justa, de uma maneira de Deus, e nós vamos ser capazes, quando fizermos isso, de dar muitas respostas para essa sociedade desesperada que anda por aí.
24.3.06
Sou alérgico a poeira!
Já faz tanto tempo... Ainda lembro-me da última postagem...
Bem, vamos começar acendendo a luz - clique!
Parece que tenho algum trabalho aqui. Uma boa limpeza em um lugar nesse estado é quase masoquismo para alguém como - Ah, ah... Athim! - eu. Sabia que não seria fá-fá... fácil. Pelo menos os arquivos estão organizados. Agora é só terminar de colocar os links de blogs mais bem cuidados do que este, depois que eu terminar de tirar essas teias de aranha. Tomara que esta animação dure - Athim! - Ai, que asco! Dure até o próximo ano. Vou ao banheiro limpar esse nariz, depois eu volto para deixar o recado de que agora vou responder os comentários na própria janela de comen-men-te-thim! comentários. Ask! Vou trocar de camisa também.
Bem, vamos começar acendendo a luz - clique!
Parece que tenho algum trabalho aqui. Uma boa limpeza em um lugar nesse estado é quase masoquismo para alguém como - Ah, ah... Athim! - eu. Sabia que não seria fá-fá... fácil. Pelo menos os arquivos estão organizados. Agora é só terminar de colocar os links de blogs mais bem cuidados do que este, depois que eu terminar de tirar essas teias de aranha. Tomara que esta animação dure - Athim! - Ai, que asco! Dure até o próximo ano. Vou ao banheiro limpar esse nariz, depois eu volto para deixar o recado de que agora vou responder os comentários na própria janela de comen-men-te-thim! comentários. Ask! Vou trocar de camisa também.
3.12.05
Brasil verde-amarelo
"Era tudo teimosamente verde
Verde as árvores, verdes os horizontes, verdes as almas dos homens.
Té que um dia eles chegaram
com uma coisa amarela.
E a coisa amarela estava escondida debaixo do verde.
Homens de almas descoloridas,
buscaram a coisa amarela,
ignorando o verde.
As esperanças verdes,
dos homens verdes."
(Bráulia Ribeiro)
Verde as árvores, verdes os horizontes, verdes as almas dos homens.
Té que um dia eles chegaram
com uma coisa amarela.
E a coisa amarela estava escondida debaixo do verde.
Homens de almas descoloridas,
buscaram a coisa amarela,
ignorando o verde.
As esperanças verdes,
dos homens verdes."
(Bráulia Ribeiro)
25.11.05
Pedaços de goiabada em sopa de jiló
Estávamos sentados em um dos muitos cafés do centro de Buenos Aires. Meu interlocutor, Jorge Romero, 40 anos, não se apresentava como eu costumava vê-lo. A diferença não estava na calça jeans ou na camisa com a gola poída, mas na falta do avental e da farinha de trigo cobrindo de branco suas mãos e antebraços. Este homem de estatura mediana, rosto redondo, olhar profundo e transparente, gestos simples e definidos, com seus poucos cabelos encaracolados na altura do pescoço, divorciado e pai de dois filhos, a menor saindo da infância e o primogênito já em plena adolescência, ajudou-me a entender melhor o que significa a frase “A massa que faz o pão, vale a luz do teu suor”, da canção “Amor de Índio”, de Beto Guedes.
Jorge é supervisor de uma pequena padaria, escondida pela opulência da Avenida Corrientes, na transversal Tte. Gral. E. Frias, 427. Tornei-me freguês do estabelecimento não por simplesmente experimentar as saborosas facturas (biscoitos, pães e doces) que produz, mas pela alegria, simpatia e generosidade com que Jorge contagia o ambiente.
“Quando estás entre crianças, és uma criança mais”, foi o que disse quando perguntei-lhe a respeito do mural de desenhos infantis pendurado na parede, ao lado esquerdo do balcão de doces, com figuras de pássaros voando, famílias de mãos dadas e até rabiscos, que eu não arriscaria chamar “sem sentido”, com inscrições do tipo “Jorge, te amamos”. Estes pequeninos e fiéis fregueses entram na padaria e correm para trás das vitrines buscando um abraço do tio Jorge. O que faz alguém tão naturalmente alegre, agradável e simpático? Ele diz que é parte do serviço, precisa conquistar os fregueses. No entanto, ninguém consegue viver por muito tempo o que não guarda como real valor. Conhecendo-o um pouco mais, pude entender que no ofício ele simplesmente expressa as verdades em que acredita, mesmo ciente de que faz apenas o trabalho de uma andorinha no sonho de ver vencidas as chamas de um incêndio.
Há quatro anos Jorge se veste de palhaço para fazer sorrir crianças de províncias pobres da Argentina, como Santiago del Estero, onde os habitantes precisam caminhar cerca de cinco quilômetros em busca de água. “O que podemos fazer pelos pobres? Especialmente pelas crianças?”. Diz que esta pergunta lhe foi respondida quando se vestiu de palhaço pela primeira vez no aniversário de um sobrinho.
Como reflexo de dias em que já precisou repartir um único pedaço de pão, após a crise financeira do país em 2001, Jorge e o grupo de voluntários não trabalham com a freqüência que gostariam, por falta de recursos, tanto que, para ajudar sua renda mensal, ele vende caramelos no metrô em seus dias de folga da padaria.
Perguntei-lhe que resultados pretende alcançar com seu trabalho com as crianças. Jorge, então, começou a contar-me histórias, como a de um certo homem que lançava sementes pelo caminho, mas só as que caíram em solo fértil germinaram e cresceram. Disse que não pode tirar as crianças da pobreza, mas pode ensinar valores. “Talvez eu jamais veja os frutos”, mas segue assegurando que as lições que ensina podem formar adultos melhores. Jorge continua a falar das crianças com tanta paixão e veemência que seus olhos ficaram marejados de lágrimas, fato que se repetiu em vários pontos da conversa. Discursava sobre a sensibilidade dos pequeninos; como coisas que, para nós, são tão insignificantes, têm tanto valor para eles. “Conseguem guardar uma bola de soprar, daquelas de aniversário, por quatro dias!”, dizia em voz chorosa: “Quando te dão um beijo, o fazem de coração”.
Jorge faz um apelo falando sobre a semente de mostarda, uma das menores na natureza, mas que se transforma em uma grande planta. “Se darmos o pouco que temos, cada uma dessas plantas darão outras muitas sementes”.
Sobre sonhos, diz que não se importa se os filhos não fizerem duas ou três faculdades, “ainda que tenham uma vida simples, que sejam boa gente, que sejam melhores do que eu”.
Se algum dia estiver em Buenos Aires, aproveite para apreciar delícias em “El Maestro del Sabor”, escondida entre o caos urbano. Não é nenhum ponto famoso, mas as maiores belezas da cidade seguramente não são as indicadas em guias turísticos.
Nos despedimos por aquela tarde, e como era de se esperar, Jorge não me deixou pagar pelo café.
Jorge é supervisor de uma pequena padaria, escondida pela opulência da Avenida Corrientes, na transversal Tte. Gral. E. Frias, 427. Tornei-me freguês do estabelecimento não por simplesmente experimentar as saborosas facturas (biscoitos, pães e doces) que produz, mas pela alegria, simpatia e generosidade com que Jorge contagia o ambiente.
“Quando estás entre crianças, és uma criança mais”, foi o que disse quando perguntei-lhe a respeito do mural de desenhos infantis pendurado na parede, ao lado esquerdo do balcão de doces, com figuras de pássaros voando, famílias de mãos dadas e até rabiscos, que eu não arriscaria chamar “sem sentido”, com inscrições do tipo “Jorge, te amamos”. Estes pequeninos e fiéis fregueses entram na padaria e correm para trás das vitrines buscando um abraço do tio Jorge. O que faz alguém tão naturalmente alegre, agradável e simpático? Ele diz que é parte do serviço, precisa conquistar os fregueses. No entanto, ninguém consegue viver por muito tempo o que não guarda como real valor. Conhecendo-o um pouco mais, pude entender que no ofício ele simplesmente expressa as verdades em que acredita, mesmo ciente de que faz apenas o trabalho de uma andorinha no sonho de ver vencidas as chamas de um incêndio.
Há quatro anos Jorge se veste de palhaço para fazer sorrir crianças de províncias pobres da Argentina, como Santiago del Estero, onde os habitantes precisam caminhar cerca de cinco quilômetros em busca de água. “O que podemos fazer pelos pobres? Especialmente pelas crianças?”. Diz que esta pergunta lhe foi respondida quando se vestiu de palhaço pela primeira vez no aniversário de um sobrinho.
Como reflexo de dias em que já precisou repartir um único pedaço de pão, após a crise financeira do país em 2001, Jorge e o grupo de voluntários não trabalham com a freqüência que gostariam, por falta de recursos, tanto que, para ajudar sua renda mensal, ele vende caramelos no metrô em seus dias de folga da padaria.
Perguntei-lhe que resultados pretende alcançar com seu trabalho com as crianças. Jorge, então, começou a contar-me histórias, como a de um certo homem que lançava sementes pelo caminho, mas só as que caíram em solo fértil germinaram e cresceram. Disse que não pode tirar as crianças da pobreza, mas pode ensinar valores. “Talvez eu jamais veja os frutos”, mas segue assegurando que as lições que ensina podem formar adultos melhores. Jorge continua a falar das crianças com tanta paixão e veemência que seus olhos ficaram marejados de lágrimas, fato que se repetiu em vários pontos da conversa. Discursava sobre a sensibilidade dos pequeninos; como coisas que, para nós, são tão insignificantes, têm tanto valor para eles. “Conseguem guardar uma bola de soprar, daquelas de aniversário, por quatro dias!”, dizia em voz chorosa: “Quando te dão um beijo, o fazem de coração”.
Jorge faz um apelo falando sobre a semente de mostarda, uma das menores na natureza, mas que se transforma em uma grande planta. “Se darmos o pouco que temos, cada uma dessas plantas darão outras muitas sementes”.
Sobre sonhos, diz que não se importa se os filhos não fizerem duas ou três faculdades, “ainda que tenham uma vida simples, que sejam boa gente, que sejam melhores do que eu”.
Se algum dia estiver em Buenos Aires, aproveite para apreciar delícias em “El Maestro del Sabor”, escondida entre o caos urbano. Não é nenhum ponto famoso, mas as maiores belezas da cidade seguramente não são as indicadas em guias turísticos.
Nos despedimos por aquela tarde, e como era de se esperar, Jorge não me deixou pagar pelo café.
19.11.05
Sobre árvores e frutos
Uma mangueira não pode produzir figos, uvas, morangos ou bananas, mas, pensando bem, uma mangueira não precisa esforçar-se nem mesmo para produzir mangas. Nunca ouvi sobre uma árvore contraindo seu caule fazendo tremer os seus galhos para que aquelas florzinhas se transformem em frutos. A natureza é assim. O céu não precisa sorrir para que o sol apareça, as nuvens não carecem de tristeza para que chova, o vento independe de pressa para correr, a flor perfuma sem paixão, a terra treme sem stress ou pulgas.
Verdade que ele era um bonito rapaz. Nunca podemos dizer o contrário de alguém que tem 85% do seu círculo de conhecidas com essa mesma opinião. Sempre educado, gentil, divertido e muito, muito ansioso por encontrar sua “outra metade”. A cada novo rosto, se após uma rápida análise de cima abaixo, o perfil fosse considerado ao menos o mínimo satisfatório; ali estava uma nova oportunidade. Suas intenções o faziam ainda mais educado, gentil e divertido. Essa espécie de dança do acasalamento era uma isca que muitas mordiam, mas ele nunca as tirava do lago. Toda essa caça era o impulso da esperança de encontrar alguém especial, deveria haver alguém com quem uma agradável conversa ou um intenso silêncio traduziria em bons momentos juntos.
Ele não tinha um histórico de muita passividade em relação aos seus sentimentos e desejos, assim, atirava para todos os lados, até que, enfim, cansou de errar o alvo caindo exausto no sofá. Ao efeito de um profundo suspiro fez uma intrigante descoberta. Ela nunca havia saído da sua lista de amigas para a lista Possibilidades e, ainda assim, ele não era menos educado, gentil ou divertido com ela, só era ele mesmo, vivendo seus reais valores. Percebeu que, com muita probabilidade, a amava.
Resolveu impressioná-la. Não bastava somente dizer o que sentia, não era tão simples assim. Essa Síndrome de Príncipe Encantado pedia uma amostra hollywoodiana de seus sentimentos. A base de uma idéia - Não há nada que uma dançarina goste mais do que dançar. Conclusão desanimadora – Ele era o pior dançarino que já conheceu. No entanto, um probleminha como esse não poderia ser obstáculo para levar a cabo uma estratégia que julgava mostrar-se tão eficiente. Algumas dicas com a mãe, em busca do ponto de vista feminino, outras com o pai, pela experiência; alguns passos com aulas pela TV, outros com amigos e seguiu a ensaiar. Treinou cada detalhe; movimento dos pés, levantar a cabeça, mãos na cintura, olhos nos olhos e um e dois e três e quatro e um e dois… Após duas semanas, pouco êxito, seus pés não obedeciam, as mãos pareciam ter vontade própria e sempre perdia a contagem. Começou a pensar que um dançarino precisa nascer dançando, tinha que ter relação com essa questão de genes ou algo assim. Caiu exausto no sofá, depois de notar aquela dor que começava na coxa e se estendia até os pés, e antes de sussurrar a frase: “Nunca vou conseguir”, entendeu, repentinamente, que realmente não conseguiria se continuasse tentando sem música.
Por fim, basta soarem os instrumentos mais a sensibilidade para ouvir a voz de uma boa canção e um convite sincero aos encantos da pista de dança e poderemos terminar essa história com um belo casamento e lindos bebês engatinhando pela casa.
Quanto ao labutar da árvore por seus frutos, bem, ela só precisa estar plantada, nada mais que isto. Se o solo é realmente fértil, naturalmente, ela se alimenta da terra, e do sol, e do orvalho, e no devido tempo, se exibem seus frutos.
Verdade que ele era um bonito rapaz. Nunca podemos dizer o contrário de alguém que tem 85% do seu círculo de conhecidas com essa mesma opinião. Sempre educado, gentil, divertido e muito, muito ansioso por encontrar sua “outra metade”. A cada novo rosto, se após uma rápida análise de cima abaixo, o perfil fosse considerado ao menos o mínimo satisfatório; ali estava uma nova oportunidade. Suas intenções o faziam ainda mais educado, gentil e divertido. Essa espécie de dança do acasalamento era uma isca que muitas mordiam, mas ele nunca as tirava do lago. Toda essa caça era o impulso da esperança de encontrar alguém especial, deveria haver alguém com quem uma agradável conversa ou um intenso silêncio traduziria em bons momentos juntos.
Ele não tinha um histórico de muita passividade em relação aos seus sentimentos e desejos, assim, atirava para todos os lados, até que, enfim, cansou de errar o alvo caindo exausto no sofá. Ao efeito de um profundo suspiro fez uma intrigante descoberta. Ela nunca havia saído da sua lista de amigas para a lista Possibilidades e, ainda assim, ele não era menos educado, gentil ou divertido com ela, só era ele mesmo, vivendo seus reais valores. Percebeu que, com muita probabilidade, a amava.
Resolveu impressioná-la. Não bastava somente dizer o que sentia, não era tão simples assim. Essa Síndrome de Príncipe Encantado pedia uma amostra hollywoodiana de seus sentimentos. A base de uma idéia - Não há nada que uma dançarina goste mais do que dançar. Conclusão desanimadora – Ele era o pior dançarino que já conheceu. No entanto, um probleminha como esse não poderia ser obstáculo para levar a cabo uma estratégia que julgava mostrar-se tão eficiente. Algumas dicas com a mãe, em busca do ponto de vista feminino, outras com o pai, pela experiência; alguns passos com aulas pela TV, outros com amigos e seguiu a ensaiar. Treinou cada detalhe; movimento dos pés, levantar a cabeça, mãos na cintura, olhos nos olhos e um e dois e três e quatro e um e dois… Após duas semanas, pouco êxito, seus pés não obedeciam, as mãos pareciam ter vontade própria e sempre perdia a contagem. Começou a pensar que um dançarino precisa nascer dançando, tinha que ter relação com essa questão de genes ou algo assim. Caiu exausto no sofá, depois de notar aquela dor que começava na coxa e se estendia até os pés, e antes de sussurrar a frase: “Nunca vou conseguir”, entendeu, repentinamente, que realmente não conseguiria se continuasse tentando sem música.
Por fim, basta soarem os instrumentos mais a sensibilidade para ouvir a voz de uma boa canção e um convite sincero aos encantos da pista de dança e poderemos terminar essa história com um belo casamento e lindos bebês engatinhando pela casa.
Quanto ao labutar da árvore por seus frutos, bem, ela só precisa estar plantada, nada mais que isto. Se o solo é realmente fértil, naturalmente, ela se alimenta da terra, e do sol, e do orvalho, e no devido tempo, se exibem seus frutos.
14.11.05
4.11.05
Ubi dubium ibi libertas
Um amigo fez algumas críticas sobre o post anterior, argumentando que gastei somente 3 linhas para retratar-me, quase o dízimo de um conflito exagerado que compõe o restante do texto. Ainda que não tenha muita relação com o argumento, acabamos nos lembrando de princípios bem interessantes. O tópico mais forte foi como nossas dúvidas são essenciais no relacionamento com o Inspirador. Uma fé sem dúvidas é uma fé estática, diferente de uma fé com muitas dúvidas, que se torna uma fé relacional.
Com uma cosmovisão bíblica tudo o que tem alguma razão, no sentido de valor essencial à existência humana, torna-se lógico e legítimo, por isso assumo minhas dúvidas, por mais blasfemas que pareçam, e o perseguirei até que me responda. Como diziam os gregos - "Onde há dúvidas há liberdade".
"Busque a mim e eu responderei e lhe direi coisas grandiosas e insondáveis que você não conhece" (Jr. 33:3)
Com uma cosmovisão bíblica tudo o que tem alguma razão, no sentido de valor essencial à existência humana, torna-se lógico e legítimo, por isso assumo minhas dúvidas, por mais blasfemas que pareçam, e o perseguirei até que me responda. Como diziam os gregos - "Onde há dúvidas há liberdade".
"Busque a mim e eu responderei e lhe direi coisas grandiosas e insondáveis que você não conhece" (Jr. 33:3)
30.10.05
Mateus que me perdôe.
Tolerância zero! É o que dizia um dos personagens do saudoso comediante Francisco Milani, frente a uma afirmação ou questionamento óbvio. Sarcasmo merecido para quem insiste em repetir jargões ignorando significados, por simplesmente não ter algo realmente significativo para dizer, ou pela burrice impregnada de cotidiano instintivo e irracional. Difícil tolerar, mesmo expressões clássicas, como por exemplo – Oi, você por aqui? – Resposta – Não, este é um holograma programado para entregar-lhe a mensagem de que, a esta altura, já estou no céu e gostaria da sua companhia, portanto, este holograma vai explodir assim que eu termine de pronunciar o último fonema das palavras Tolerância Zero!
Como não me importo com a vergonha de ser considerado um pecador segundo os padrões judaico-cristãos, atrevi-me a sentenciar o evangelista bíblico Mateus com a mesma intolerância, por ser desatento o bastante para escrever a tolice dessa sentença - “E Jesus, abrindo a boca, disse…”. Tentei negar que o original grego traz a mesma linha. Se não estiver no original, pensei, então quem foi o insano que inseriu tal imbecilidade na Bíblia? Você pode pensar que estava sendo demasiadamente radical e que este é só um detalhe, e você tem razão, foi um detalhe que idiotizou o texto, tirou-me toda vontade e expectativa de seguir lendo. De um homen com tantos recursos como Mateus, esperava um pouco mais de senso. Entendo que ele não era um escritor, mas isso não era desculpa para usar de tanta obviedade, como se eu fosse tão burro a ponto de não saber que para alguém falar algo, especialmente para uma multidão, é preciso abrir bem a boca. Sinceramente, não acreditei que ele tivesse feito isso comigo, mesmo depois de reler a mesma bendita frase quatro vezes. Nesse ponto, comecei a questionar a própria inspiração divina atribuida ao sacro livro. Mesmo que Deus tenha feito isso por uma dose de humor, entraria no seu jogo, e com o mesmo sarcasmo que me ensinou a porcaria daquele programa, diria Tolerância Zero para o Inspirador.
Antes de entregar-me à derrota pela indignação e acabar fechando as escrituras, parei um momento e pensei no protagonista, pensei nos fatos, nas histórias, nos momentos. Foi assim que dei-me conta de que para as maiores mensagens, Jesus realmente não precisou das palavras, ele falou com o toque, o sorriso, o olhar...
Como não me importo com a vergonha de ser considerado um pecador segundo os padrões judaico-cristãos, atrevi-me a sentenciar o evangelista bíblico Mateus com a mesma intolerância, por ser desatento o bastante para escrever a tolice dessa sentença - “E Jesus, abrindo a boca, disse…”. Tentei negar que o original grego traz a mesma linha. Se não estiver no original, pensei, então quem foi o insano que inseriu tal imbecilidade na Bíblia? Você pode pensar que estava sendo demasiadamente radical e que este é só um detalhe, e você tem razão, foi um detalhe que idiotizou o texto, tirou-me toda vontade e expectativa de seguir lendo. De um homen com tantos recursos como Mateus, esperava um pouco mais de senso. Entendo que ele não era um escritor, mas isso não era desculpa para usar de tanta obviedade, como se eu fosse tão burro a ponto de não saber que para alguém falar algo, especialmente para uma multidão, é preciso abrir bem a boca. Sinceramente, não acreditei que ele tivesse feito isso comigo, mesmo depois de reler a mesma bendita frase quatro vezes. Nesse ponto, comecei a questionar a própria inspiração divina atribuida ao sacro livro. Mesmo que Deus tenha feito isso por uma dose de humor, entraria no seu jogo, e com o mesmo sarcasmo que me ensinou a porcaria daquele programa, diria Tolerância Zero para o Inspirador.
Antes de entregar-me à derrota pela indignação e acabar fechando as escrituras, parei um momento e pensei no protagonista, pensei nos fatos, nas histórias, nos momentos. Foi assim que dei-me conta de que para as maiores mensagens, Jesus realmente não precisou das palavras, ele falou com o toque, o sorriso, o olhar...
24.10.05
23.10.05
Síndrome de Cristóvão
Os europeus descobriram as marés que trouxeram Colombo para os horizontes verdes de Latino-América. Que inveja... das marés... de Colombo...
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